3 práticas de Governança para aumentar o valuation da sua empresa

por Giovani Beirigo

Empresários que buscam valorizar sua empresa para futuras oportunidades de mercado – seja atrair investimentos ou viabilizar uma venda (M&A) – devem investir em boas práticas de governança corporativa. Além de impulsionar a performance, essas práticas reduzem riscos e aumentam a confiança de investidores. Negligenciar aspectos básicos de governança pode fazer o negócio perder valor ou até mesmo inviabilizar uma transação​.

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1. Dinheiro da empresa é da empresa, não do sócio.

A primeira prática é manter transparência financeira, o que começa pela separação clara entre as finanças do empresário e as da empresa. Misturar o patrimônio pessoal com o empresarial – a chamada confusão patrimonial – é uma armadilha comum, especialmente em negócios familiares ou de pequeno porte. Essa prática gera riscos e passivos ocultos que podem explodir no futuro, afetando diretamente o valor da empresa. Por mais óbvio que pareça, a confusão patrimonial acontece com frequência e causa problemas no momento de uma negociação, muitas vezes reduzindo o valuation do negócio​. Em processos de fusões e aquisições, por exemplo, ativos e passivos misturados podem levantar bandeiras vermelhas, dificultando auditorias e afastando compradores.

Além de prejudicar a avaliação do negócio, a falta de separação patrimonial passa uma imagem de desorganização e amadorismo. Por exemplo, não é admissível que o empreendedor utilize o dinheiro do caixa da empresa para pagar despesas pessoais

Boas práticas incluem manter contas bancárias separadas, pró-labore definido (retirada dos sócios) e registro de todas as movimentações financeiras de forma profissional. Demonstrar contabilidade transparente e aderência a normas contábeis dá segurança aos investidores de que “o que está sendo feito na empresa está refletido nos balanços”​

Em suma, finanças organizadas e bem separadas indicam uma gestão profissional, reduzem riscos de passivos desconhecidos e criam confiança nos potenciais investidores ou compradores.

2. Estrutura societária organizada e documentada

Ter uma estrutura societária bem organizada e documentada é outra prática vital para agregar valor à empresa. Isso significa definir claramente quem são os sócios (ou acionistas), quais as porcentagens de participação de cada um e formalizar acordos que regem a relação societária. Quando a estrutura de propriedade e gestão é clara, a empresa ganha em previsibilidade e segurança jurídica – ou seja, há menos chances de disputas entre sócios e mais estabilidade para o negócio. Do ponto de vista de um investidor ou comprador, uma estrutura societária sólida indica que a empresa está preparada para crescer e lidar com mudanças (entrada de novos sócios, por exemplo) sem sobressaltos. Documentos bem elaborados, como Contrato Social atualizado e Acordo de Sócios, estabelecem regras de governança, direitos e deveres de cada parte, planos de sucessão e mecanismos de resolução de conflitos. Isso traz tranquilidade para quem pensa em investir, pois reduz incertezas sobre a titularidade e a governança do negócio.

Em uma negociação de investimento ou venda, a situação societária da empresa é geralmente um dos primeiros pontos analisados. Não por acaso, compradores e investidores realizam uma varredura (due diligence) nos documentos societários em busca de inconsistências ou surpresas. Portanto, antecipe-se: regularize previamente quaisquer pendências, como cotas não formalizadas, acordos verbais ou participação de investidores-anjo sem contrato. Nenhum investidor quer descobrir “surpresas” durante a auditoria legal – todos os movimentos societários precisam estar devidamente registrados antes mesmo da due diligence​

Lembre-se de incluir formalmente qualquer mútuo conversível, plano de opção, entrada ou saída de sócios ocorrida ao longo do tempo. Essa organização prévia evita impasses de última hora e acelera as negociações. Vale reforçar que um Acordo de Sócios bem estruturado é considerado um instrumento fundamental em empresas com múltiplos sócios, pois define regras claras de gestão e saída, agregando valor e confiança ao negócio​

Em resumo, estrutura societária organizada = negociação facilitada: com tudo às claras, investidores enxergam menos riscos e têm mais segurança para aportar capital ou adquirir a empresa.

3. Compliance fiscal e trabalhista em dia

Por fim, uma empresa que deseja maximizar seu valuation precisa estar 100% em dia com suas obrigações fiscais e trabalhistas. Cumprir a legislação não é apenas evitar multas – é evitar que se criem passivos ocultos que possam comprometer o valor do negócio e minar a confiança de investidores. Impostos atrasados, tributos não declarados, pendências previdenciárias ou práticas trabalhistas irregulares (como funcionários informais, horas extras não pagas, etc.) são bombas-relógio no balanço da empresa. Muitas vezes, a empresa convive com esses riscos sem evidenciá-los nos demonstrativos financeiros, mas durante uma auditoria rigorosa eles virão à tona. De fato, é comum um processo de due diligence identificar erros fiscais (falhas na apuração ou pagamento de tributos, declarações acessórias pendentes) e irregularidades trabalhistas (descumprimento de leis que pode gerar reclamatórias judiciais) em empresas pouco organizadas​

Esses problemas representam dívidas e contingências ocultas que, no momento de calcular o preço de venda ou investimento, prejudicam diretamente o valor atribuído à empresa

Ou seja, o comprador provavelmente exigirá descontar do preço esses passivos ou reter parte do pagamento em garantia – isso quando o negócio não é completamente inviabilizado.

Além do impacto financeiro imediato, a falta de compliance corrói a credibilidade da empresa no mercado. Investidores tendem a desconfiar de negócios com histórico de problemas fiscais ou trabalhistas, temendo serem surpreendidos por multas ou ações judiciais no futuro. Acumular processos trabalhistas, por exemplo, gera uma visão negativa externa sobre a companhia – a marca fica associada a desrespeito aos funcionários – o que faz com que investidores se afastem do negócio, evitando qualquer envolvimento com a empresa problemática​

Por outro lado, estar em conformidade plena com as leis transmite seriedade e transparência. Uma empresa sem esqueletos no armário (seja no âmbito tributário, seja nas relações de trabalho) passa confiança de que foi bem administrada e não trará surpresas desagradáveis. Portanto, mantenha registros fiscais organizados, pague os tributos no prazo, siga as normas trabalhistas (desde contratação até o desligamento de funcionários) e trate compliance como prioridade estratégica. Essa postura proativa elimina contingências jurídicas e reforça a imagem de um negócio saudável – fatores que se traduzem em um valuation mais alto e maior interesse de investidores.

Conclusão: Ao adotar essas três práticas de governança – transparência financeira, estrutura societária organizada e compliance rigoroso –, o empreendedor constrói uma base sólida para o crescimento sustentável e agrega valor ao negócio. Empresas bem geridas internamente tendem a alcançar valuations superiores, pois apresentam menos riscos e mais previsibilidade para quem investe. Em outras palavras, governança corporativa não é “burocracia”, mas sim um investimento estratégico: aumenta a confiabilidade da empresa, facilita auditorias e negociações e, no fim do dia, potencializa o valor de mercado em futuras oportunidades. Em um cenário competitivo, esse pode ser o diferencial que torna sua empresa muito mais atrativa aos olhos do mercado.

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